Falta de reagente retarda diagnóstico de doença degenerativa
Pacientes do Hospital Universitário (HUB) reclamam do atraso na realização de exames essenciais para diagnóstico prematuro de males
Paula Mattäus
Pacientes e médicos, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), lutam contra o tempo na batalha pela vida. Exames, que diagnosticam doenças degenerativas, como o câncer, no laboratório do hospital foram adiados por aproximadamente cinco meses. Motivo: a falta de reagentes que atestem, ou não, a presença de viroses, alterações hormonais, síndromes e tumores, os quais podem detectar moléstias em estágios iniciais.
Exames de bioquímica, como o da proteína Bence Jones, imunologia, como os de Waller Rose, HIV, hepatite A, B e C, hormônios T3, T4, TSH e os realizados para a descoberta de possíveis tumores, como o de próstata, (o chamado PSA), estão suspensos por falta de reagentes desde o final do primeiro trimestre deste ano. Um aviso fixado na porta do laboratório foi um alerta de que os tratamentos teriam de ser prorrogados.
João Oliveira *, após consulta ao urologista, no mês de abril, recebeu uma guia em que o médico solicitava a realização de exames patológicos. Com papéis em mãos e consulta para o mês seguinte. João voltou para casa sem saber quando teria de retornar. O laboratório do HUB não deu previsão de quando seria possível realizar os exames. “Esta é a terceira vez que não faço os exames e perco a consulta”, lamenta o paciente.
Filha de um dos pacientes à espera da realização de exames, Cristina Macêdo, ao retornar ao hospital, no final do mês de julho, recebeu o que poderia ser uma boa notícia. A chegada de reagentes ao laboratório do Hospital Universitário de Brasília (HUB) estaria prevista para a segunda quinzena do mês de agosto. Os exames do pai de Cristina foram agendados para serem realizados na primeira quinzena do mês de setembro. Porém, ao ligar para o laboratório, hoje, foi informada de que não há previsão para a compra dos insumos.
Gastos podem equivaler a mais de três salários mínimos
Se um paciente que possivelmente necessitasse realizar todos os exames para os quais há a falta de reagentes, testes de proteína Bence Jones, Waller Rose, HIV, hepatite A, B e C, hormônios T3, T4, Testosterona, TSH, FSH (pacientes do sexo feminino), ou, PSA (pacientes do sexo masculino) e Citomegalovírus, por exemplo, não puder esperar, terá de pagar pelos testes uma quantia a qual, talvez, possa não dispor.
Foram procurados alguns laboratórios da rede particular de Brasília a fim de se obter uma média dos valores praticados**. O valor médio cobrado por todos os exames é de aproximadamente R$ 800,00.*** O Sistema Único de Saúde (SUS) paga 50% dos custos de testes da rede pública aos laboratórios privados. Se a receita não for protocolada por unidades de serviço público, as quantias dobram. O paciente, possivelmente, terá de desembolsar um valor aproximado de R$1.600,00.
Sem solução
Pacientes do Hospital Universitário (HUB) reclamam do atraso na realização de exames essenciais para diagnóstico prematuro de males
Paula Mattäus
Pacientes e médicos, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), lutam contra o tempo na batalha pela vida. Exames, que diagnosticam doenças degenerativas, como o câncer, no laboratório do hospital foram adiados por aproximadamente cinco meses. Motivo: a falta de reagentes que atestem, ou não, a presença de viroses, alterações hormonais, síndromes e tumores, os quais podem detectar moléstias em estágios iniciais.
Exames de bioquímica, como o da proteína Bence Jones, imunologia, como os de Waller Rose, HIV, hepatite A, B e C, hormônios T3, T4, TSH e os realizados para a descoberta de possíveis tumores, como o de próstata, (o chamado PSA), estão suspensos por falta de reagentes desde o final do primeiro trimestre deste ano. Um aviso fixado na porta do laboratório foi um alerta de que os tratamentos teriam de ser prorrogados.
João Oliveira *, após consulta ao urologista, no mês de abril, recebeu uma guia em que o médico solicitava a realização de exames patológicos. Com papéis em mãos e consulta para o mês seguinte. João voltou para casa sem saber quando teria de retornar. O laboratório do HUB não deu previsão de quando seria possível realizar os exames. “Esta é a terceira vez que não faço os exames e perco a consulta”, lamenta o paciente.
Filha de um dos pacientes à espera da realização de exames, Cristina Macêdo, ao retornar ao hospital, no final do mês de julho, recebeu o que poderia ser uma boa notícia. A chegada de reagentes ao laboratório do Hospital Universitário de Brasília (HUB) estaria prevista para a segunda quinzena do mês de agosto. Os exames do pai de Cristina foram agendados para serem realizados na primeira quinzena do mês de setembro. Porém, ao ligar para o laboratório, hoje, foi informada de que não há previsão para a compra dos insumos.
Gastos podem equivaler a mais de três salários mínimos
Se um paciente que possivelmente necessitasse realizar todos os exames para os quais há a falta de reagentes, testes de proteína Bence Jones, Waller Rose, HIV, hepatite A, B e C, hormônios T3, T4, Testosterona, TSH, FSH (pacientes do sexo feminino), ou, PSA (pacientes do sexo masculino) e Citomegalovírus, por exemplo, não puder esperar, terá de pagar pelos testes uma quantia a qual, talvez, possa não dispor.
Foram procurados alguns laboratórios da rede particular de Brasília a fim de se obter uma média dos valores praticados**. O valor médio cobrado por todos os exames é de aproximadamente R$ 800,00.*** O Sistema Único de Saúde (SUS) paga 50% dos custos de testes da rede pública aos laboratórios privados. Se a receita não for protocolada por unidades de serviço público, as quantias dobram. O paciente, possivelmente, terá de desembolsar um valor aproximado de R$1.600,00.
Sem solução
Procurei a assessoria de imprensa da Universidade de Brasília (UNB), porém não foi me prestado nenhum esclarecimento.
*Nome fictício
Tabela de preços de exames laboratoriais
Exames:
Preços:
*Nome fictício
Tabela de preços de exames laboratoriais
Exames:
Preços:
Imunologia:
Proteína Waller Rose
R$ 7,60*
Citomegalovírus IgM
R$ 43,00*
Citomegalovírus IgG
R$ 41,00*
HIV 1 / HIV 2 – Anticorpos
R$ 150,00*
Brucelose IgG – Anticorpos
R$ 22,16*
Brucelose IgM – Anticorpos
R$ 42,28*
Hepatite A – Anticorpos Anti Hav IgG
R$ 24,00*
Hepatite A – Anticorpos Anti Hav IgM
R$ 45,60*
Hepatite B – Anticorpos Anti Hbc IgG
R$ 27,00*
Hepatite B – Anticorpos Anti Hbc IgM
R$ 26,00*
Hepatite “B” – Antígeno “E” (HBEAG)
R$ 38,00*
Hepatite “B” – Antígeno Austrália (HBSAG)
R$ 28,50*
Hepatite “B” – Anti HBE
R$ 34,20*
Hepatite “B” – Anti HBS
R$ 22,00*
Hepatite C – Anticorpos Anti HCV
R$ 60,00*
Hormônios:
Testosterona total
R$ 41,80*
Hormônio Triodotironina (T3)
R$ 23,42*
Hormônio Tiroxina (T4)
R$ 23,59*
Tiroxina Livre (T4 Livre)
R$ 28,00*
Tiroestimulante (TSH)
R$ 27,00*
Hormônio Folículo Estimulante (FSH)
R$ 21,00*
PSA total
R$ 38,00*
Total:*
R$ 790,73*
* Valores médios aproximados.
** Nos orçamentos feitos não há a inclusão de valores do teste para a proteína Bence Jones.
*** Valor aproximado do total atualizado pela nova tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), em 27 de agosto de 2009.