domingo, 29 de junho de 2008

O verdadeiro barato, quer curtir?

Não preciso de bagulho para viver. A vida por si só já me entorpece


Por Paula Mattäus


Estou vendo nesses últimos dias a discussão sobre o Inri Cristo, a feirinha de BH, os ácidos e a bagulhada toda e me dei conta,lúcida, que faço a maior viagem.
Hoje, fui ao supermercado com o meu pai e ele pegou uns limões. Do nada, viajei por conta de meia dúzia deles. Disse ao meu pai que faltava o gin e a vodca. Me lembrei do Lenin, “se ao menos eu tivesse um limão”, aí me lembrei: faltaria gelo, o que me fez lembrar do Trotski e a morte bizarra que ele teve. Nossa, que viagem. Abri o sapateiro e imaginei como seria a vida do Ceausescu e de sua mulher, Elena, em uma banheira folheada a ouro, setecentos pares de calçados no armário, 24 anos de ditadura e um povo, romeno, passando fome.
A minha imagem na estrada de Nova Petrópolis – (RS), não sai da minha cabeça, nem a da criança que eu tinha nos braços, aí, de vez em quando, escuto o fundo daquela música, acho que é um rap, deve ser: “O dia das crianças da periferia”, um fundo triste...Parece o som de uma caixinha de música...
Lembro – me da morte estúpida do cunhado do meu tio: que diabos o Francisco Carneiro tinha que estar, em plena Explanada dos Ministérios, num dia 05 de fevereiro, às 03:00hs da manhã, se político evita expediente...
Só de pensar que dois dias antes do ocorrido, tinhamos conversado por um bom tempo, na casa de meu tio. A vida é louca, muito louca!
Também lembro do meu pai, trabalhava de domingo a domingo para que nada nos faltasse, isso para no final, eu ficar numa fila do Banco Nacional e não poder ter nem como pagar as contas, pois tinham confiscado anos de trabalho dele e ter que ver ele tentar disfarçar o choro na minha frente. Isso me doeu.Culpa do Collor.Vocês devem estranhar, nessa época eu tinha nove anos. Sempre fui estranha.Sempre fui assim. Quando "ganhei o mundo" para "modelar", tinha apenas 14 anos. Isso biologicamente. Psicologicamente, eu tinha trinta, então, por dedução, hoje, tenho 45 anos. Me lembro também do confisco das terras dos meus bisavôs, do governo Vargas e da vida nômade que a minha família foi obrigada a levar. Uns foram para o Rio Grande do Sul, outros para o Mato Grosso, alguns permaneceram em São Paulo e no Paraná e eu chorando pelo meu pai, por conta da terra horrorosa que o meu avô inventou de comprar em Alvorada do Norte - (GO).
Ô terra feia!
Lembro de meu avô vestido de mulher para não apanhar de um alemão, que era marido de uma das mulheres mais lindas da cidade...(Vovô Evangélio não perdia tempo...) e de mim, vestida como um homem, de terno e gravata, dizendo que eu seria o filho varão que o meu pai tanto desejou. Que faria obras maiores que o filho homem que ele teve não fez.
Também não posso deixar de lembrar de quando eu cursava o segundo grau: pintaram a escola toda de azul - Roriz e eu ia para às aulas toda de vermelho. Um dia, não me deixaram entrar na escola, aí então, eu entrei. Porque chamei a polícia. Pintei paredes de vermelho, mobilizei grupos e, como eu era a representante da minha turma, reuni os alunos para fazerem um panelaço na frente da direção. Queria o Marúcio longe dos estudantes. Na hora do “vamos ver”, estava lá, batendo panela e sozinha.
Só o meu professor de história que me adorava, o senhor Antônio Amurab. Tenho saudades dele, era militante no Sindicato dos Professores, ainda deve ser, me ouvia e me incentivava. Ele me defendia mesmo do Marúcio. Subia em cima da mesa dos professores e começava a discursar e descia dela chorando, pois os “cegos” não me compreendiam. Estudava em uma escola pública, ficava, como fico ainda, revoltada com o atraso. Eu sempre fui doida, mensagens, imagens, lembranças me perturbam a todo tempo. A vida é a dose mais forte e o verdadeiro barato é curtir tudo isso. De cara limpa e dada para bater. Continuo na militância, sem bagulho e sem dó. O meu futuro? Só Deus poderá dizer.

Professor Antônio Amurab, eu adoro o senhor. Muito obrigada por tudo que fez e que representa para mim. A luta continua!

O Inri Cristo? É fichinha diante de mim. E aí, Inri, vai me encarar?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Lightnin' Hopkins e seu violão fodástico

por Cráudio Lott

Esse vai pra Lex. Beware my mojo hand, woman!

Chris Crocker - LEAVE BRITNEY ALONE!

por Cráudio Lott

behold: the scum of the earth.

Davaneios Musicais de Nobres Europeus de Muito Tempo Atrás


Por Cráudio Lott


Como é sabido, por vários e vários séculos os nobres na Europa sempre conseguiram qualquer coisa. Até mesmo hoje, bobeando... mas sei lá.
Mas para termos certeza dos fatos, olhemos então para o longínquo ano de 1650, data de publicação de um fantástico compêndio de sabedoria musical barroca, o Musurgia Universalis. Dentro de tal maravilhoso volume, havia uma entrada particularmente interessante, para não dizer bizarra, que mencionava um certo instrumento musical desenvolvido para o deleite de um príncipe italiano. Tal instrumento era o Piano-gato.
Traduzo aqui (do inglês, achado na internerd: http://www.we-make-money-not-art.com/archives/2006/02/the-cat-piano.php) a descrição do piano-gato, tal como apresentada por Athanasius Kircher, autor do Musurgia Universalis:

Com o intuito de alegrar um príncipe italiano atribulado pelas preocupações de sua posição, um músico criou para ele um piano de gatos. O músico selecionou gatos cujas vozes naturais eram de tons diferentes, e arranjou-os em gaiolas lado a lado, de modo que quando uma tecla no piano era acionada, um mecanismo apertava um prego na cauda do gato apropriado. O resultado era uma melodia de miaus que se tornava cada vez mais vigorosa à medida que os gatos ficavam mais desesperados. Quem poderia não rir perante tal música? Deste modo foi o príncipe libertado de sua melancolia.


quem pode, pode.

Por Cráudio Lott

LSD, música progressiva e a feira Hippie de BH – coisas que já não são mais as mesmas


Por Cráudio Lott

Bem, desde que minha querida colega Alessandra (vulgo Lex) resolveu associar Inri Cristo com drogas, música e a feira hippie de Belo Horizonte, eu venho me indagando: o que será que aconteceu?
Passo certos dias desejando viver aquela alegre época dourada da música e das drogas: os psicodélicos anos 60. Na Califórnia, é claro, ou talvez em Londres. Quem sabe até mesmo Rio ou São Paulo- mas aí a coisa seria mais politizada. Meu treco seria mesmo as drogas e a musica. Rá.
Mas cá estou, atravancado no século XXI, onde as coisas já não são mais as mesmas. O ácido, tsk! quem me dera ter as megadoses de 700microgramas de outrora. Hoje tenho que me contentar com meras 50microg. A música- escondida nas periferias das gravadoras, rechaçada, esquecida- também não ressona com a mesma força.
Talvez a decadência da feira hippie de BH tenha algo a ver com isso tudo... fica mais difícil bolar designs e materiais alternativos quando o ácido é tão vagabundo e a musica tão sem brilho. E, porra, olha quem anda comprando os artesanatos: piriguetes, velhas gordas, bichonas e Inri Cristo. A motivação do movimento social e união já foi pro ralo a muito tempo mesmo.
woohoo.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Frase inspiradora e profunda da semana




" A culpa é minha e eu boto em quem eu quiser!"
(Homer Simpson)