segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Defuntos fashion praticam dialética com açougueiros que comem spaguetti

Por Alessandra Oliveira



A padronização da beleza e a criação de estereótipos estéticos cada vez mais inalcançáveis e impositivos, tem minado a auto-estima feminina, sua expressão sexual e também o seu bom senso.
A beleza não é mais vista de forma natural, é padronizada como um produdo comercial qualquer. Mas o corpo é muito mais que isso, ele transmite mensagens, abriga a personalidade, é preenchido com a consciência, com os valores, com a cultura e a diversidade individual.
O sexo está totalmente banalizado e os preconceitos continuam pungentes.
Transformaram o mundo num açougue, a o corpo feminino é visto por pedaços. A carne é mutilada nas mesas de cirurgia plástica, promete-se aumentar a auto-confiança do paciente limitando suas expressões faciais, transformando seu rosto numa máscara comum construída pelas mãos de um artista que produz beleza em escala industrial. Toda essa artificialidade acaba com o intercâmbio sensório natural do corpo e da mente com o mundo.
Mulheres, o belíssimo macarrão italiano não é vosso inimigo! ( parafraseando a minha Vó paterna: o que mata é desgosto!). Os efeitos do tempo são um evento natural da realidade.
Será que só pela beleza podemos nos inserir socialmente, e nos sentirmos amados? Isso é trágico, triste e ridículo. Esqueçam a utopia das propagandas, tais imagens de perfeição são a imagem destruição e não da evolução social, e mais - a bunda não está no lugar que está, e do jeito que é, à toa. A maioria dos homens que conheço gostam de coxas bem feitas e de mulheres confiantes e felizes. Já viu como as pessoas ficam mal humoradas quando estão com fome?
Quem você pensa que é para ser aquilo que esperam que você seja? A verdadeira beleza não é descartável, não é perecível, portanto, ao contrário do que se pensa, ela não fenece com o tempo, mas é construída por meio dele também.
O propósito de uma busca saudável pela beleza é sentir-se bem consigo, a vaidade é algo natural inerente à personalidade humana. Nada contra pessoas arrumadas, em boa forma saudável e com uma dose singela de um bom perfume, muito pelo contrário. A vaidade na medida certa mostra que uma pessoa se cuida, e se ela se cuida, percebemos que ela gosta de si mesma.
Chegamos ao ponto de ver de forma negativa e preconceituosa um fato imutável da realidade, a velhice. Se envelhece e ponto, não se muda isso, é certo como a morte. Agora só falta considerarem ser feio morrer.
Espero que as pessoas passem a respeitar mais a dialética entre seu interior e seu exterior, quem sabe assim possamos ser mais felizes e menos superficiais?

Obs: Paula, minha linda Olívia Palito, vou te levar pra uma churrarcaria gaúcha, aí eu quero ver você vir com "não me toques".

Nenhum comentário: