terça-feira, 20 de janeiro de 2009

GAZA

GAZA


Um dia, contra todas as leis da física
Vai que este céu desaba e quebra toda sua opala leitosa!
Farto de ser alvo de tantos olhares desesperados, de projéteis mortíferos
que, reluzentes de fogo cortam sua calma com um rastro de pólvora e fumaça,
vai que a carcaça azul de sonhos suspendida
se farta do peso onírico e dos fantasmas da morte, e como uma pele morta se descola!
Ah, a Senhora Bovary como que perdida em tamanha miragem
cozeria o estranho tecido celeste, cingindo-o à sua cintura como uma corda!
O céu adoecerá antes que o mundo morra
e o espelho azul, oxidado, inclinará sobre vossos rostos
a verdade explícita em sua superfície acidentada:
O lar de vossos deuses está acabado, assim como a matriz dos sonhos de seus filhos,
caindo sobre o solo as andorinhas mortas.

Alessandra M. P. Oliveira

Um comentário:

Me disse...

Se entendi bem, este seu poema é contra a violência e morte e geral. Concordo com você, já é passada a hora de evoluirmos. Não precisamos de violência para resolver nossos conflitos. Precisamos inaugurar um novo capítulo na história humana. Vamos dialogar. Somos seres racionais, podemos encontrar soluções que não envolvam o sangue.
Mas ainda há o problema de que são necessárias duas pessoas para travarem o diálogo. Não adianta um dos países envolvidos no conflito, diga-se de passagem a única democracia da região, baixar as armas. O outro lado precisa querer adotar a saída diplomática. Parar de enviar seres-bomba, civis ludibriados, às praças e locais públicos do vizinho, que eventualmente vai revidar, pois ninguém gosta de ser atacado a conta gotas.
Sem essa atitude continuaram a perecer na máquina de moer carne da guerra milhares de pessoas. Inocentes ou não, aumentando a piscina de sangue que a região cada vez mais se torna.
Escrevi um poema também tempos atrás (http://sordili.blogspot.com/2008/11/poema-para-o-indivduo.html), queria discutir a falta de liberdade que a vida comunitária pode impor aos indivíduos. Acho que serviria também para as vítimas inocentes, as buchas de canhão da retórica fundamentalista do Hamas. Na época em que estava escrevendo, ouvi muito Racionais. Devia estar com saudades de casa. O poema acabou saindo com cadência de Rap.