
Sobreviver aos apelos é a melhor forma de se descobrir
Por Paula Mattäus
As pessoas não são aquilo o que vestem ou consomem, apesar de que isso diga muito do que elas são. O poder da mídia, investimentos altos em publicidade e propaganda esperam de seu espectador ser um alvo fácil em uma sociedade cada vez mais desprendida de valores morais e espirituais. A velocidade dos lançamentos, a lei da oferta e procura, a busca desenfreada pelo lucro e o capitalismo operante, estão a escravizar os fracos que alimentam este sistema.
A vulgarização pode ser vista, pois a apelação está aí, tudo em nome da indústria do marketing. Existem, no caso dos estilistas, duas categorias: a dos vendedores de peças que fazem alusão ao bom gosto, estilo e identidade de seus clientes e a dos vendedores de marcas, ou logotipos. Verdadeiros ou falsos, há quem exiba com muito orgulho, mesmo na pele, em forma de tatuagem, a sinalizar o evento da marca da besta, o próprio apocalipse.
Eles são pagos para isso, as agências de publicidade vivem de construir e aumentar a arrecadação das empresas que as contratam. Os consumidores não. Pobres e infelizes de espírito, estes acham que usar uma roupa que exiba a marca A ou B, ou comprarem algum tipo de acessório do mercado de luxo C ou D, lhes farão mais felizes ou melhores como pessoa, se esquecendo de quem realmente são, de onde vieram e para onde vão. Nasceram pelados, carecas e sem dentes. O que vier é lucro.
Traficantes de drogas não costumam consumi – las. Este mesmo exemplo vale para quem vive do mundo da moda. O que muitas profissionais do ramo têm em mente é que devem usar a roupa de “ninguém”, porque o que verdadeiramente importa não é que a vestimenta seja assinada por Valentino ou da feira do Guará, (poderia ser da Ceilândia...). O que é importante de verdade é que a profissional esteja no lugar certo, no momento e hora certa, também é claro, faça um bom testemunho de si e mostre se como ela realmente é. Em contrapartida, existem pessoas como a modelo Daniela Trece, que afirma querer ser enterrada vestindo um Gucci. (Tom Ford, uma encomenda para você !)
Giorgio Armani é uma pessoa carismática, dono de um senso estético apuradíssimo. Sempre deu chance às meninas que chegavam em Milão, principalmente as brasileiras. Foi padrinho de muitas delas no eixo Paris – Milão - Nova York. Dono de uma personalidade forte, vale pelo que é. Certa vez, em um de seus desfiles, foi informado de que a calça que usava era uma cópia. O melhor da noite foi a resposta dada aos veículos de imprensa: “ fico muito feliz, pois mesmo quem comete este tipo de coisa tem o bom gosto de apreciar o que faço”.
O faturamento da Giorgio Armani é milionário. Ninguém vai levar Armani à falência caso não compre roupas desenhadas por ele. Seres humanos são hologramas perfeitos de si, dotados de inteligência para discernir entre o que é de ordem necessária e supérflua. Muitas vezes ele, este ser, toma um outro como espelho e o copia. Acha que ali mora sua necessidade, o que mudaria simplesmente se ao invés de terem alguém como exemplo, se exergassem. Bastaria se ver e questionar se algumas coisas valem tanto a pena para serem seguidas.
Por Paula Mattäus
As pessoas não são aquilo o que vestem ou consomem, apesar de que isso diga muito do que elas são. O poder da mídia, investimentos altos em publicidade e propaganda esperam de seu espectador ser um alvo fácil em uma sociedade cada vez mais desprendida de valores morais e espirituais. A velocidade dos lançamentos, a lei da oferta e procura, a busca desenfreada pelo lucro e o capitalismo operante, estão a escravizar os fracos que alimentam este sistema.
A vulgarização pode ser vista, pois a apelação está aí, tudo em nome da indústria do marketing. Existem, no caso dos estilistas, duas categorias: a dos vendedores de peças que fazem alusão ao bom gosto, estilo e identidade de seus clientes e a dos vendedores de marcas, ou logotipos. Verdadeiros ou falsos, há quem exiba com muito orgulho, mesmo na pele, em forma de tatuagem, a sinalizar o evento da marca da besta, o próprio apocalipse.
Eles são pagos para isso, as agências de publicidade vivem de construir e aumentar a arrecadação das empresas que as contratam. Os consumidores não. Pobres e infelizes de espírito, estes acham que usar uma roupa que exiba a marca A ou B, ou comprarem algum tipo de acessório do mercado de luxo C ou D, lhes farão mais felizes ou melhores como pessoa, se esquecendo de quem realmente são, de onde vieram e para onde vão. Nasceram pelados, carecas e sem dentes. O que vier é lucro.
Traficantes de drogas não costumam consumi – las. Este mesmo exemplo vale para quem vive do mundo da moda. O que muitas profissionais do ramo têm em mente é que devem usar a roupa de “ninguém”, porque o que verdadeiramente importa não é que a vestimenta seja assinada por Valentino ou da feira do Guará, (poderia ser da Ceilândia...). O que é importante de verdade é que a profissional esteja no lugar certo, no momento e hora certa, também é claro, faça um bom testemunho de si e mostre se como ela realmente é. Em contrapartida, existem pessoas como a modelo Daniela Trece, que afirma querer ser enterrada vestindo um Gucci. (Tom Ford, uma encomenda para você !)
Giorgio Armani é uma pessoa carismática, dono de um senso estético apuradíssimo. Sempre deu chance às meninas que chegavam em Milão, principalmente as brasileiras. Foi padrinho de muitas delas no eixo Paris – Milão - Nova York. Dono de uma personalidade forte, vale pelo que é. Certa vez, em um de seus desfiles, foi informado de que a calça que usava era uma cópia. O melhor da noite foi a resposta dada aos veículos de imprensa: “ fico muito feliz, pois mesmo quem comete este tipo de coisa tem o bom gosto de apreciar o que faço”.
O faturamento da Giorgio Armani é milionário. Ninguém vai levar Armani à falência caso não compre roupas desenhadas por ele. Seres humanos são hologramas perfeitos de si, dotados de inteligência para discernir entre o que é de ordem necessária e supérflua. Muitas vezes ele, este ser, toma um outro como espelho e o copia. Acha que ali mora sua necessidade, o que mudaria simplesmente se ao invés de terem alguém como exemplo, se exergassem. Bastaria se ver e questionar se algumas coisas valem tanto a pena para serem seguidas.
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